12 de fevereiro

PP reúne liberais da Arena e do MDB

Tancredo e Magalhães Pinto, velhos adversários, criam partido 'de centro'

O deputados mineiros Tancredo Neves e Magalhães Pinto lançam o Plano de Ação do Partido Popular (PP). Indo ao encontro dos objetivos da ditadura com a reforma partidária, a nova legenda “de centro” reúne políticos da ala moderada do MDB e dissidentes da ex-Arena, incluindo o único governador do antigo partido de oposição, Chagas Freitas, do Rio. Com forte estrutura no Sudeste do país, o PP se colocava como uma alternativa conservadora para a sucessão presidencial indireta de 1985. 

Tancredo e Magalhães Pinto eram adversários políticos desde a década de 1940. O primeiro, filiado ao PSD, foi ministro de Getúlio Vargas. O segundo, um dos fundadores da velha UDN. Magalhães Pinto venceu Tancredo na disputa pelo governo de Minas em 1960, mas viu o adversário tornar-se primeiro-ministro um ano depois, na crise da renúncia de Jânio Quadros e posse do vice-presidente João Goulart. Magalhães Pinto foi um dos líderes civis do golpe de 1964. Tancredo votou no Congresso contra a eleição do general Castelo Branco.

Os dois políticos encontraram-se finalmente no PP, mas o partido existiria por menos de dois anos, inviabilizado por mudanças nas regras eleitorais que o governo da ditadura iria estabelecer para as eleições de 1982. Em sua breve existência, o PP foi conhecido como “partido dos banqueiros”: além de Magalhães Pinto, dono do antigo Banco Nacional, filiaram-se ao partido o prefeito de São Paulo, Olavo Setúbal, e o deputado Herbert Levy, acionistas do Banco Itaú.