15 de agosto

Prestes reacende o queremismo

PCB propõe adiar pleito presidencial e antecipar eleições para Constituinte

O secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, envia ao presidente Getúlio Vargas um telegrama com slogan e pretexto para o ressurgimento do queremismo — movimento criado para reivindicar a candidatura de Vargas nas eleições presidenciais de dezembro. A candidatura murchara depois que o presidente decidiu não deixar o governo a tempo de se tornar elegível. Agora, Prestes propõe a suspensão das eleições presidenciais e a imediata convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte — prazo em que Getúlio completaria a transição democrática.

É o início do movimento “Constituinte com Getúlio”, assumido com entusiasmo pelas bases trabalhistas de Vargas. Com a ajuda do PCB, o queremismo deixaria de requerer simplesmente a permanência do presidente que fora ditador, mas assumiria uma posição nitidamente democrática — exigir a antecipação de uma Constituinte. Vargas, que ficaria no poder enquanto funcionasse a assembleia, seria o avalista da manutenção das conquistas sociais de seu governo no novo texto constitucional.

No dia 3 de outubro, o movimento faria um comício com 150 mil pessoas no largo da Carioca, Rio de Janeiro.

Durante o comício, líderes queremistas revezavam-se no palanque em defesa do adiamento das eleições presidenciais e imediata eleição de uma Assembleia Constituinte. Ao fim dos discursos, teve início a Marcha Luminosa até o palácio Guanabara — residência oficial do presidente —, onde o empresário Hugo Borghi entregou a Vargas o documento com as principais demandas do povo. Ao tomar a palavra, o presidente assumiu o compromisso de garantir a vontade popular, mas alertou: as condições para a instalação de uma Assembleia Constituinte antes das eleições exigiriam modificar a Lei Constitucional nº 9, o que seria impossível sem a autorização de partidos políticos, entidades de classe e movimentos sociais.

A oposição interpretaria o ato como uma manobra de Vargas e planejaria uma contraofensiva. Em São Paulo, o PSD, a UDN, a Esquerda Democrática, o Partido Republicano Brasileiro e entidades patronais se uniriam para organizar manifestações em todo o Brasil em defesa das eleições de dezembro.

Em 29 de outubro, Getúlio seria deposto por um golpe militar.