3 de março

Procurador morre ao apurar fraude

Jorge de Melo e Silva denunciou caso conhecido por Escândalo da Mandioca

O procurador federal Pedro Jorge de Melo e Silva é assassinado a tiros, três meses depois de oferecer denúncia contra dois oficiais da Polícia Militar de Pernambuco, um deputado estadual do PDS e outras 21 pessoas envolvidas no desvio de recursos do Banco do Brasil para financiamento agrícola. O caso ficou conhecido como Escândalo da Mandioca, porque os criminosos fraudavam empréstimos do Proagro (programa de crédito agrícola federal), simulando o plantio de mandioca, feijão e cebola. O assassinato do procurador, à luz do dia, chocou o país.

Mais de 300 empréstimos foram feitos na agência do Banco do Brasil do município de Floresta (PE), entre os anos de 1979 e 1981, com cadastros falsos de pequenos agricultores da região. Além de não plantar o contratado, os controladores do esquema declaravam as safras como perdidas por causa da seca e recebiam o dinheiro do seguro. O desvio alcançou Cr$ 1,5 bilhão (quase R$ 68 milhões em valor atualizado), configurando um dos maiores casos de corrupção daquele período.

A operação foi denunciada por um agricultor e investigada pela Polícia Federal. O procurador Pedro Jorge recebeu o inquérito e, mesmo tendo sido ameaçado, denunciou o gerente da agência de Floresta, o deputado estadual Vital Cavalcante Novaes (PDS) e o ex-major PM José Ferreira dos Anjos, entre outros. O major Ferreira foi acusado de ser o mandante do assassinato de Pedro Jorge, que levou seis tiros, três dos quais à queima-roupa, na porta de uma padaria em Olinda. Ele foi condenado a dez anos de prisão pelo crime.

Dos 24 denunciados pelo esquema de desvio de dinheiro, 22 seriam condenados a penas de dois a dez anos de prisão, num julgamento que só veio a ocorrer em 1999, 17 anos depois do crime.