17 de julho

Getúlio cria PSD de olho em oligarquias

Partido faria maioria no Congresso e elegeria presidentes

Nasce o Partido Social Democrático (PSD), na mesma convenção que lança, oficialmente, a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra à Presidência da República.

O partido foi uma das duas faces do getulismo. O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), criado três meses antes, conversaria com as grandes massas urbanas favorecidas pela política social do governo Vargas. Por seu lado, o PSD agregaria os interventores do Estado Novo, que substituíram as velhas oligarquias estaduais no interior do país.

O PSD reuniria prefeitos— nomeados pelos interventores —, industriais, proprietários rurais, comerciantes e funcionários públicos. Teria votos na área rural e se favoreceria do “coronelismo”, prática dominante no interior do país desde a Primeira República, em que os grandes fazendeiros e chefes políticos se comportavam como donos dos votos e subjugavam “currais eleitorais” valendo-se de coerção e fraude.

O PSD tinha voto, prestígio regional, sabia da importância de eleger prefeitos para garantir o poder do governador e era mestre na tática do acordo e da aliança. Seus membros eram as chamadas “raposas” políticas: Tancredo Neves, Juscelino Kubitschek, José Maria Alckmin, Ulysses Guimarães e Ernâni do Amaral Peixoto, entre outros.

A capacidade de articulação e as grandes bancadas no Congresso dariam ao partido o poder de influir fortemente nos caminhos da política brasileira de 1945 a 1964. Com seu aliado mais constante, o PTB, faria três presidentes da República no curto período de 19 anos e seria decisivo para a manutenção da democracia.

Em 1964, esses partidos estariam cada vez mais afastados, e a maior parte do PSD apoiaria o golpe militar.