15 de maio

Com lemas sociais de Getúlio, nasce o PTB

Partido criado por sindicalistas pretende atrair eleitorado do PCB

É criado o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Assim, define-se o quadro partidário, com duas legendas de apoio ao governo de Getúlio Vargas. Enquanto o PSD, fundado pelos interventores estaduais, contempla os representantes da nova elite política forjada pelo Estado Novo, o PTB abriga os sindicalistas e a burocracia do Ministério do Trabalho.

O novo partido, inspirado no trabalhismo inglês, propunha-se a absorver em seus quadros os trabalhadores urbanos, beneficiados pela legislação social de Vargas e então disputados por outro líder carismático, o secretário-geral do Partido Comunista do Brasil (PCB), Luís Carlos Prestes, pela primeira vez atuando na legalidade, após sair da prisão.

Na primeira convenção, em setembro, o PTB aprovaria um programa arrojado, que defenderia a ampliação dos direitos trabalhistas nas cidades, a extensão dessas conquistas aos trabalhadores do campo, a reforma agrária e o direito à greve “pacífica”.

O partido, dividido entre os simpáticos a uma aliança com o PSD, os partidários de uma candidatura de Vargas e os defensores da abstenção, não lançou candidato à Presidência nas eleições de 1945, quando elegeu 22 deputados e dois senadores — um deles o próprio Vargas. Em 1954, faria 56 deputados; quatro anos depois, 66; e, em 1962, 116.

Vargas se elegeria presidente da República pelo PTB em 1950. Depois da sua morte, o partido voltaria novamente à Presidência em 1961, com João Goulart, que assumiria após a renúncia do udenista Jânio Quadros. Seria um período de forte aproximação entre o PTB e as demais forças de esquerda, em especial o PCB.