15 de março

Quando a Justiça vergou a TV Globo

Leonel Brizola ganha direito de resposta aos ataques da emissora

Após mais de dois anos de peregrinação pelos tribunais, o então governador do Rio, Leonel Brizola, ganha na Justiça direito de resposta de três minutos no “Jornal Nacional”, da TV Globo, no qual havia sido duramente atacado e chamado de senil.  A leitura do texto de Brizola por Cid Moreira no telejornal de maior audiência do país representou um momento singular de garantia dos direitos individuais contra o poder dos meios de comunicação privados e da TV Globo em particular.

Mais de dois anos antes, em 6 de fevereiro de 1992, o “Jornal Nacional” havia antecipado trechos do editorial “Para entender a fúria de Brizola”, que seria publicado no dia seguinte pelo jornal “O Globo”. O diário fazia duros ataques ao governador, que pedira ao prefeito da cidade, Marcello Alencar, que suspendesse a concessão de exclusividade à TV Globo para a transmissão dos desfiles do Carnaval carioca.

O texto do direito de resposta foi escrito em 1992, para ser apresentado previamente à Justiça, e não poderia conter “compensação de injúria”, ou seja, tudo que o que estivesse nele deveria ser verdade.

O apresentador leu constrangido o texto em que Brizola fez duras críticas à emissora e se defendeu dos ataques feitos por ela. O jornalista Nelson de Sá escreveu na época, na “Folha de S.Paulo”, o seguinte comentário sobre o episódio: “Cid Moreira, a voz do dono, a voz do Grande Irmão, a voz que surgiu do AI-5, voltou-se contra si mesmo. Foi um daqueles momentos que servem como símbolos, como instantâneos da história. Cid Moreira falou, e falou, e falou contra Roberto Marinho. Foram três longos minutos, contra a Globo, no ‘Jornal Nacional’. O redator era Leonel Brizola, que ganhou direito de resposta ao ataque que havia recebido do mesmo  ‘Jornal Nacional’, que o chamou de senil”.

Trechos da resposta de Leonel Brizola lida por Cid Moreira no “Jornal Nacional”:

·  “Tudo na Globo é tendencioso e manipulado.”
·  “Não reconheço na Globo autoridade em matéria de liberdade de imprensa, e basta para isso olhar a sua longa e cordial convivência com os regimes autoritários e com a ditadura que por 20 anos dominou o nosso país.”
·  “Quando ela (a emissora) diz que denuncia os maus administradores deveria dizer, sim, que ataca e tenta desmoralizar os homens públicos que não se vergam diante de seu poder.”