Página 1

Época de extremismos

Radicalização política

Em julho de 1934 foi promulgada uma nova Constituição, e Getúlio foi eleito presidente do Brasil por mais quatro anos — não mais como “provisório”. A expectativa era que o período de turbulência e exceção que se seguira à Revolução de 1930 estava chegando ao fim.

Os movimentos sociais, que vinham sofrendo dura repressão, voltaram às ruas com a redemocratização. Greves e manifestações — muitas vezes para reivindicar o cumprimento dos direitos sancionados por Getúlio e sacramentados na nova Constituição — eclodiram por todo o país.

Por outro lado, a crise econômica que se iniciara em 1929, com a quebra da bolsa de Nova York, reforçava ainda mais as teses de que o liberalismo político era incapaz de responder aos desafios de uma nova era. Em boa parte do mundo ganhavam corpo as ideologias e partidos que defendiam um Estado autoritário, fosse ele nazista ou fascista, fosse comunista, imperial ou colonialista. Além disso, a vitória dos bolcheviques na Rússia semeara no mundo capitalista o medo de transformações socioeconômicas radicais.

O Brasil, como o resto do mundo, se dividiu entre direita e esquerda. A direita se aglutinou em todo da Ação Integralista Brasileira (AIB), comandada por Plínio Salgado, com o apoio de Miguel Reale e Gustavo Barroso. Já a Aliança Nacional Libertadora (ANL), frente de esquerda cujo principal líder era Luís Carlos Prestes, reunia comunistas, socialistas, tenentistas, democratas e progressistas.

Getúlio, que tinha em seu governo pessoas ligadas tanto à direita quanto às esquerdas, assim que empossado como presidente constitucional começou a trabalhar para retirar poderes do parlamento e reforçar seu peso pessoal na definição dos rumos do país. Em dezembro de 1934, uma nova lei de segurança nacional começava a ser discutida no governo.