25 de maio

Repressão começa a queimar arquivos

Governo gaúcho é o primeiro a extinguir Dops, antes das eleições

O governador do Rio Grande do Sul, Amaral de Souza (PDS), extingue o Departamento de Ordem Política e Social (Dops) do Estado e manda queimar todos os documentos. Até março de 1983, quando vários Estados passariam a ser administrados pela oposição, outros governadores do PDS iriam encerrar os Dops locais, destruiriam arquivos ou mandariam transferi-los para o Serviço Nacional de Informações (SNI). A operação de ocultamento dos crimes da repressão na ditadura entrava numa nova fase. 

Os Departamentos ou Delegacias de Ordem Política e Social, vinculados às Secretarias da Segurança Pública dos Estados, existiam no país desde 1928, realizando sistemática repressão ao movimento operário. Nos cinco primeiros anos da ditadura, tiveram papel central na repressão política, especialmente na Guanabara (antigo nome do Estado do Rio de Janeiro), em São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul. Com o fim do Dops gaúcho, o governador Amaral de Souza antecipava-se a uma provável vitória do candidato do PMDB – que acabou não ocorrendo. 

O Dops de São Paulo seria extinto às vésperas da posse do governador eleito pelo PMDB, Franco Montoro. O delegado Romeu Tuma, último chefe do Dops paulista, foi nomeado diretor da Polícia Federal no Estado, para onde foram transferidos os arquivos.

Os arquivos do Dops do Rio também foram enviados para autoridades federais antes da posse do governador eleito pelo PDT, Leonel Brizola. Em Minas, os documentos foram simplesmente escondidos – só viriam à tona a partir do trabalho de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa, em 1997.