20 de janeiro

Repressão mata Rubens Paiva e monta farsa

Agentes do DOI-Codi assassinam ex-deputado, escondem o corpo e encenam 'fuga'

Agentes do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (Cisa) invadem a casa do ex-deputado cassado Rubens Paiva (PTB-SP), no Rio. Acompanhado pelos militares, Paiva sai de sua residência no bairro do Leblon dirigindo o próprio automóvel até o comando da 3ª  Zona Aérea, onde seria interrogado e espancado. Dali, foi transferido para o quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, bairro da Tijuca, onde funcionava o DOI-Codi.

Na virada do dia 20 para o dia 21, o médico Amilcar Lobo, que acompanhou as sessões de tortura, examinou Paiva e diagnosticou hemorragia interna aguda. O ex-deputado morreu naquela noite. Seu corpo foi retirado do quartel e, segundo depoimentos posteriores de agentes dos órgãos de segurança, enterrado numa praia do Recreio dos Bandeirantes. Anos mais tarde, ainda segundo os mesmos agentes, teria sido exumado e levado para local desconhecido. Até hoje, está desaparecido. 

Segundo a versão oficial, Paiva não permaneceu em poder dos militares. Ele teria sido resgatado por terroristas alguns dias depois de sua prisão, quando era levado para reconhecer um aparelho no Alto da Boa Vista. A farsa incluiu um fusca incendiado para forjar o ataque. 

Rubens Paiva foi incluído na primeira lista de cassações, em abril de 1964. Estava marcado pelos golpistas por ter sido um dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad) – uma organização patrocinada pelo Departamento de Estado dos EUA, que financiou políticos e jornalistas envolvidos na campanha contra João Goulart. Em dezembro de 2012, a Câmara dos Deputados devolveu simbolicamente o mandato a Paiva e a outros 172 deputados cassados pela ditadura.