31 de março

'Repressão será dura', avisa Médici

Com AI-5 nas mãos, general diz que não se deixa atemorizar pelo 'terror'

Em discurso pelo sexto aniversário do golpe de abril de 1964 (que a ditadura celebrava como "Revolução de 31 de Março"), o general presidente Garrastazu Médici dirige-se ao país com uma ameaça: "Haverá repressão, sim. E dura. E implacável. Mas apenas contra o crime e os criminosos". 

Era assim, como "criminosos", que o terceiro chefe militar da ditadura se referia aos grupos políticos de oposição ao regime. Com o aparelho de repressão prestes a ser reorganizado sob comando direto do Exército, Médici anunciou: "Fiquem, pois, advertidos os criminosos do terrorismo: (...) Este governo é forte demais para se deixar atemorizar pelo terror". 

Dias antes, em sua primeira entrevista coletiva, o general presidente deixou claro que não abriria mão do Ato Institucional n° 5 em seu período de governo. E revelou que defendia a edição de um ato autoritário desde a posse de seu antecessor, Costa e Silva. O discurso de 31 de março foi transmitido em rede de rádio e televisão. Era o sinal mais claro dos "anos de chumbo" que vinham pela frente.