4 de março

Roosevelt assume e quer pacto anticrise

Novo presidente dos EUA defende Estado forte para estimular economia

“Solicito ao Congresso a única arma que resta para combater a crise, um amplo poder de decisão para ganhar a guerra contra o perigo, um poder tão amplo quanto aquele que me seria concedido se nossa nação fosse invadida por um exército inimigo”. Com estas palavras, proferidas no discurso de posse, o novo presidente dos Estados Unidos deixa clara sua visão da crise e aponta o caminho para solucioná-la: um Estado forte que multiplique os investimentos e gere empregos. O “New Deal” (Novo Pacto) estava começando.

A situação era dramática nos Estados Unidos desde a quebra da bolsa de Nova York, em 1929. Uma em cada quatro pessoas economicamente ativa estava desempregada, e 4.305 bancos haviam declarado falência. Milhares de fábricas tinham fechado suas portas. Já os agricultores estavam às voltas com grande excesso de produção, pois, com a miséria crescente, ninguém comprava suas mercadorias. Nas cidades, as praças e parques estavam atulhadas de mendigos. O desânimo e o desespero eram crescentes.

O plano econômico de Roosevelt buscava estimular a produção industrial e agrícola e previa uma grande quantidade de obras públicas, com destaque para a construção de hidrelétricas e rodovias, que empregam milhares de pessoas. O objetivo principal era reduzir rapidamente o desemprego e proteger os desvalidos, com salários mínimos regionais, seguro-desemprego e outras medidas de seguridade social. O novo presidente, do Partido Democrata, deixou claro que os trabalhadores tinham o direito de se organizar em sindicatos e a negociar contratos coletivos com as empresas.

Entre outras medidas, Roosevelt interveio nos bancos, a fim de devolver a confiança ao sistema financeiro, e anunciou a desvalorização do dólar, para tornar mais competitivas as exportações norte-americanas.