11 de julho

Ruralistas marcham até o Congresso

UDR leva a Brasília mais de 30 mil fazendeiros contra a reforma agrária

Fazendeiros e produtores rurais convocados pela União Democrática Ruralista (UDR) descem a Esplanada dos Ministérios rumo ao Congresso Nacional, gritando palavras de ordem como “Reforma agrária já, com justiça e critério” e “Abaixo o fascismo vermelho”. Numa demonstração de força, 30 mil ruralistas fizeram uma passeata em Brasília para se manifestar contra a aprovação pela Assembleia Constituinte de dispositivos mais avançados sobre a posse da terra e a reforma agrária. Eles queriam, sobretudo, evitar a aprovação de emenda que previa a desapropriação de terras improdutivas para reforma agrária.

A UDR havia surgido no anterior sob a liderança do médico e fazendeiro goiano Ronaldo Caiado. Sua criação foi uma reação da elite rural ao surgimento do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), às ocupações de áreas e à aprovação, em 1985, do Plano Nacional de Reforma Agrária. 

Seu objetivo inicial era prestar auxílio jurídico aos associados nos processos de desapropriação, mas a agenda foi ampliada depois da instalação da Constituinte. A UDR transformou-se então num importante ator político. Em diversos momentos, foi acusada pelo MST de financiar e apoiar conflitos armados que resultaram no assassinato de líderes camponeses.

A Marcha da UDR teve o efeito de agrupar os constituintes ligados ao patronato rural, dando origem à chamada bancada ruralista.  Muitas das propostas iniciais da Constituinte para mudar a concentradora estrutura agrária do país foram barradas. A definição de terra improdutiva não teve uma regulamentação clara.