25 de janeiro

USP é criada para formar elite

Professores trazidos da França deverão garantir a qualidade do ensino

O interventor Armando de Sales Oliveira presenteia os paulistas no aniversário da capital, ao baixar o decreto criando a Universidade de São Paulo. A instituição será formada da união de faculdades e institutos, com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que oferecerá disciplinas básicas para todos os cursos, possibilitando assim a organicidade da universidade, o pensamento “uspiano”. Um acordo com universidades francesas, já firmado, garantirá que elas enviem professores a fim de garantir o ensino de qualidade na nova instituição.

A criação da Universidade de São Paulo tinha o intuito de preparar uma elite intelectual moderna, de que o Brasil tanto precisava. As justificativas de seus criadores, no próprio texto do decreto, eram transparentes: “a organização e o desenvolvimento da cultura filosófica, científica, literária e artística constituem as bases em que se assentam a liberdade e a grandeza de um povo” e “somente por seus institutos de investigação científica, de altos estudos, de cultura livre, desinteressada, pode uma nação moderna adquirir a consciência de si mesma, de seus recursos, de seus destinos”.

A modernização do país — ainda segundo os criadores — exigia a criação dessa universidade, pois “a formação das classes dirigentes, mormente em países de populações heterogêneas e costumes diversos, está condicionada à organização de um aparelho cultural e universitário, que ofereça oportunidade a todos e processe a seleção dos mais capazes”.