12 de setembro

Sargentos rebeldes tomam prédios no DF

Decisão da Justiça de não dar posse a militares eleitos deflagra rebelião

Mais de 600 militares de baixa patente iniciam na capital federal uma rebelião armada, a qual  pretendem estender ao resto do país. A revolta se deve à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que acaba de reiterar decisão anterior do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerando nulos os mandatos conquistados por sargentos nas eleições parlamentares do ano passado.

Numa breve reunião no Rio de Janeiro, os suboficiais haviam decidido convocar cabos e soldados para tomar a Base Aérea de Brasília e o Grupamento de Fuzileiros Navais (GFN). Em poucas horas, o levante tomou as principais avenidas da capital federal, além de ocupar o aeroporto civil, a Central Telefônica e o Departamento Federal de Segurança Pública, localizado no Ministério da Justiça.

Os revoltosos também invadiram o Congresso Nacional e prenderam o presidente em exercício da Câmara dos Deputados, Clóvis Mota (PSD-RN); no Supremo Tribunal Federal, detiveram seu presidente, Victor Nunes Leal, cujo voto fora contrário à causa dos sargentos; e, com armamentos obtidos no GFN, ocuparam também o Ministério da Marinha.

Os rebelados encontraram resistência principalmente das forças do Exército, das quais poucos sargentos aderiram ao movimento. O enfrentamento armado entre as tropas oficiais, que se concentravam no Ministério do Exército, e os rebelados, no Ministério da Marinha, resultaria na morte de um soldado e de um funcionário público civil, além de três fuzileiros navais feridos.

A rebelião se circunscreveu a Brasília, com uma tímida adesão em São Paulo, e seria definitivamente controlada no dia seguinte, com a prisão de mais de 500 militares. O líder do movimento, o sargento da Aeronáutica Antônio Prestes de Paula — presidente do Clube dos Suboficiais, Subtenentes e Sargentos das Forças Armadas e Auxiliares —, seria preso no dia seguinte à rebelião. Às vésperas do golpe militar de 1964, 19 desses sargentos seriam condenados a quatro anos de prisão pela rebelião.

Apesar de rapidamente debelada pelo governo, o movimento armado dos suboficiais seria largamente valorizado pelas forças golpistas como prova de que João Goulart seria conivente com a quebra da hierarquia dentro das Forças Armadas.