23 de maio

Explodem conflitos em São Paulo

Multidão ataca Legião Revolucionária, que reage: quatro morrem no tiroteio

“Paulistas! Mais uma vez o ministro Osvaldo Aranha, como enviado especial do ditador, vem a São Paulo com o intuito de arrebatar ao povo paulista o sagrado direito de escolher seus governantes. Mas o povo paulista, cuja paciência não é ilimitada, não mais suportará tamanha afronta e humilhação”. Assim começa o panfleto da Frente Única Paulista, lido insistentemente nas emissoras de rádio e distribuído pelas ruas, convocando para mais um comício na praça do Patriarca.

Depois do encontro, a multidão saiu em passeata pelas ruas do centro. Invadiu os jornais “Correio da Tarde” e “A Razão” (favoráveis ao Governo Provisório), depredando e queimando as instalações. De lá, seguiu para a sede da Legião Revolucionária, organização tenentista, saqueando duas lojas de armas no caminho.

Os legionários, percebendo a chegada da multidão enfurecida, responderam com tiros de metralhadoras, ferindo várias pessoas e matando quatro atacantes: Mário Martins de Almeida (fazendeiro em Sertãozinho, 31 anos), Euclides Bueno Miragaia (auxiliar de cartório em São Paulo, 21 anos), Dráuzio Marcondes de Souza (ajudante de farmácia em São Paulo, 14 anos) e Antônio Américo de Camargo Andrade (comerciário em São Paulo, 30 anos).

A temperatura política subiu imediatamente. O Grêmio Politécnico, o Centro Acadêmico Osvaldo Cruz, o Centro Acadêmico XI de Agosto e o Centro Horácio Lane se juntaram à Liga Paulista Pró-Constituinte e lançaram um comunicado exortando a população a exigir “justiça aos responsáveis por esse crime vergonhoso”.

A sigla MMDC, formada pelas iniciais dos nomes dos mortos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), seria transformada em símbolo do movimento paulista contra Vargas.