fevereiro

60 mil sertanejos no esforço de guerra

Com falsas promessas, governo mobiliza soldados da borracha

Sertanejos brasileiros, a maioria flagelados da seca, seguem para a Amazônia. Eles passam fome, sofrem com a malária e outras doenças, muitos em condições tão degradantes como as da escravidão. Dos 60 mil recrutados, metade nunca mais regressaria.

Depois que o Japão bloqueou para os Estados Unidos o fornecimento da borracha do Sudeste Asiático, uma comissão criada pelo presidente norte-americano concluiu que, “de todos os materiais críticos e estratégicos, a borracha é aquele cuja falta representa a maior ameaça à segurança de nossa nação e da causa aliada”.

Diante da situação, Brasil e Estados Unidos firmaram acordo para aumentar drasticamente a produção da borracha amazônica no menor tempo possível. O governo norte-americano assumiu o financiamento, e o brasileiro se encarregou de arregimentar a mão de obra. Para tanto, criou o Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para a Amazônia (Semta), cujo alvo principal eram os flagelados da seca que assolava o Nordeste.

Os soldados da borracha eram convocados a participar do esforço de guerra brasileiro, no que ficaria conhecido como a Batalha da Borracha. A propaganda oficial apresentava a Amazônia como a terra da fartura, onde a floresta era sempre verde, e a seca, inexistente.

Dos 60 mil recrutados, metade desapareceria na selva e nunca mais regressaria.