11 de outubro

TBC revoluciona as artes cênicas do país

Companhia introduz inovações estéticas e profissionaliza o teatro brasileiro

É inaugurado, em São Paulo, o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), apresentando “La Voix Humaine”, monólogo de Jean Cocteau dirigido e interpretado por Henriette Morineau, e “A Mulher do Próximo”, de Abílio Pereira de Almeida, com o Grupo Experimental de Teatro (GTE) sob direção de Alfredo Mesquita. No elenco da peça brasileira estão Cacilda Becker, Marina Freire Franco, Carlos Vergueiro, Sérgio Junqueiro, Delmiro Gonçalves e Paulo Cajado, além do próprio Mesquita.

Construído pelo engenheiro italiano Franco Zampari, em associação com os empresários Francisco Matarazzo Sobrinho e Paulo de Assunção, o teatro duraria 16 anos de grande sucesso e revolucionaria o teatro brasileiro. Inspirada nos modelos europeus, o TBC seria responsável por renovar radicalmente a estética e os procedimentos cênicos, além de profissionalizar o teatro brasileiro.

Até a década de 1930, o teatro no Brasil fora dominado pelas comédias de costumes e por espetáculos de pouco apuro literário, técnico e de montagem. Na década seguinte, grupos começaram a discutir essa arte à luz dos novos rumos que ela tomava mundialmente, com a intenção de modernizá-la.

Em 1943, no Rio, a encenação de “Vestido de Noiva”, de Nélson Rodrigues, sob a direção de Zbigniew Ziembinski, foi considerada o início do teatro moderno no país. Na capital paulista, seguiram o mesmo caminho os amadores Grupo Experimental de Teatro, fundado por Alfredo Mesquita, e o Grupo Universitário de Teatro (GUT) da USP, dirigido por Décio de Almeida Prado. Esses grupos convergiram para o TBC.

Mais tarde surgiria o Teatro de Arena, com a proposta de fugir ao modelo europeu do TBC e encontrar uma linguagem brasileira para a arte cênica.