22 de dezembro

Tiros silenciam a voz de Chico Mendes

Líder seringueiro defendia os povos da floresta e a preservação ambiental

Francisco Alves Mendes Filho, o Chico Mendes, é assassinado a tiros em Xapuri (AC) na frente de sua casa e da família por fazendeiros da região incomodados por seu ativismo e pela repercussão de suas denúncias. Seringueiro desde a infância, era líder dos trabalhadores rurais e dos seringueiros da Amazônia e ambientalista de expressão internacional.

Chico Mendes tornou-se secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia (AC) em 1975. Compreendendo que seringueiros e extrativistas dependiam da preservação da floresta para sobreviver, passou a liderar os “empates”, manifestações pacíficas em que os seringueiros faziam barreiras humanas contra o desmatamento.

Em 1977, fundou o sindicato de Xapuri e se elegeu vereador pelo MDB. Passou, então, a receber ameaças de morte. Por suas atividades sindicais e com movimentos sociais, em 1979 foi acusado de subversão, preso e torturado.  Em 1980, participou da fundação do PT. No mesmo ano, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional a pedido de fazendeiros que o acusavam de envolvimento no assassinato de um capataz. Em 1981, assumiu a presidência do sindicato de Xapuri, cargo que ocuparia até sua morte. Em 1984, foi absolvido de denúncia de incitar posseiros à violência. Candidatou-se a deputado estadual em 1986, mas não se elegeu.

Sua projeção internacional teve início em 1985, com a realização do 1° Encontro Nacional de Seringueiros, durante o qual foi criado o conselho nacional da categoria, que passaria a lutar pela demarcação de reservas extrativistas.

Uma delegação da Organização das Nações Unidas (ONU) visitou Xapuri em 1987 e constatou a veracidade de denúncias de devastação florestal, que seriam levadas ao Senado norte-americano e ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Como consequência, financiamentos internacionais a projetos de impacto ambiental negativo foram suspensos. Os fazendeiros passaram a chamá-lo de “inimigo do progresso”.  Chico Mendes recebeu diversos prêmios internacionais por sua atuação, inclusive o Global 500, oferecido pela ONU em 1987.

Foram julgados e condenados por seu assassinato, em 1990, o fazendeiro Darly Alves e seu filho Darcy, que Chico já acusara de ameaças de morte.  Em 2007 foi criado, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio), encarregado de fiscalizar a conservação ambiental antes a cargo do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).