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A ditadura contra os trabalhadores

Trabalhadores: cidade e campo (1964 - 1968)

Um dos principais objetivos do golpe de 1964 foi desarticular o movimento dos trabalhadores da cidade e do campo, que vinha se tornando um importante ator político e social no Brasil, numa mobilização crescente desde a primeira metade dos anos 1950. Submeter os sindicatos combativos, as Ligas Camponesas e as articulações intersindicais, como o Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e a União de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas do Brasil (Ultab), era essencial ao projeto econômico e político por trás do golpe. As organizações dos trabalhadores, seus líderes e aliados foram atacados desde as primeiras horas até os últimos dias da ditadura.

O início dos anos 1960 corresponde ao auge das mobilizações sindicais no Brasil, que pela primeira vez assumiam um caráter nitidamente político, para além das reivindicações econômicas. A estrutura sindical, embora atrelada ao Estado, era fortemente influenciada pelo PCB e por líderes autênticos do PTB, além de militantes da esquerda católica, ultrapassando os limites do sindicalismo pelego. Os trabalhadores organizados passaram a ter voz e a serem ouvidos.

Em agosto de 1961, com a surpreendente renúncia do presidente Jânio Quadros, os mais importantes dirigentes sindicais articularam uma greve geral para garantir a posse do vice-presidente João Goulart (PTB), ameaçada por um golpe dos ministros militares. O Comando Geral da Greve iria se transformar no CGT, oficialmente criado em 1962. Em setembro, com nova greve geral, o CGT forçou a renúncia do primeiro-ministro conservador Auro Moura Andrade e obteve a conquista histórica do 13º salário. Uma terceira greve levou à antecipação, para janeiro de 1963, do plebiscito que restabeleceria o presidencialismo.

A mobilização no campo, estimulada desde 1957 pelas Ligas Camponesas, ganhou novo impulso com a aprovação, em 1963, do Estatuto do Trabalhador Rural, que estendia os direitos trabalhistas aos camponeses, incluindo a organização dos sindicatos de trabalhadores rurais. No mesmo ano foi criada a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que se juntou ao CGT, onde já estavam as confederações de trabalhadores na Indústria, nos Bancos e nos Transportes.