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Uma grande reviravolta

O Estado e os trabalhadores

A Revolução de 1930 marcou o início de uma grande virada na história do Brasil. O presidente da República assumiu efetivamente o comando político do país, que na Primeira República estava a cargo das oligarquias estaduais, especialmente as de São Paulo e Minas Gerais. Um personagem, até então completamente desprezado, virou central nas políticas de Estado: o trabalhador.

A escravidão havia durado muito tempo por aqui. Ela começou no início da colonização portuguesa, no século 16, e durou até 1888. Negros escravizados não eram considerados seres humanos. O trabalho não valia nada, e continuou sendo visto como algo desprezível mesmo depois da Abolição e durante toda a Primeira República. Washington Luís, o último presidente antes de Getúlio, tratava as lutas dos trabalhadores como caso de polícia — e foram muitas as lutas dos trabalhadores, por respeito e pela regulamentação do trabalho.

Getúlio mudou tudo isso. Para ele, o trabalho não era castigo nem desonra, muito pelo contrário. Vargas acreditava que o trabalho dignifica o homem, porque pelo trabalho o ser humano se integra à sociedade e participa da construção da civilização. Muito mais do que um meio de ganhar a vida, o trabalho é um meio de servir à pátria, um direito e um dever, uma atividade essencial que realizava o indivíduo e o tornava um cidadão, mas ao mesmo tempo uma obrigação ética com a sociedade e o Estado.

O discurso do governo de Getúlio afirmava que todos os trabalhadores, independente da função que exerciam — manual ou intelectual —, tinham valor. Pois cada um deles, exercendo seu ofício com seriedade, colaborava para o engrandecimento e desenvolvimento do Brasil. Segundo Getúlio, o trabalhador era bom e honesto, e, com o apoio do poder público, construiria uma vida melhor para si e sua família.