11 de janeiro

Tropas brasileiras embarcam para Suez

Batalhão integra primeira força de Paz da ONU no conflito entre Egito e Israel

Partem para o canal de Suez as primeiras tropas brasileiras que integrarão a missão de paz das Nações Unidas no Oriente Médio. Nossos soldados deverão ficar pelo menos dez anos no Egito.

As tropas internacionais foram enviadas à região por decisão da Assembleia Geral da ONU, depois que Israel, com apoio dos governos francês e britânico, invadiu a península do Sinai em retaliação à nacionalização do canal de Suez feita pelo presidente do Egito, Gamal Abdel Násser.

França e Grã-Bretanha eram acionistas do canal, o que lhes permitia trafegar mercadorias — em especial o petróleo árabe — diretamente para a Europa, sem contornar o continente africano.

Em 30 de outubro de 1956, reuniu-se o Conselho de Segurança das Nações Unidas, composto por União Soviética, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e China, a pedido dos norte-americanos, que condenavam a ação israelense.

No dia 4 de novembro, pela primeira vez na sua história, a Assembleia Geral da ONU aprovou ao envio de tropas internacionais para a manutenção da paz na região. O Egito aceitou a presença das tropas internacionais em seu território, mas Israel não considerou legítima a operação.

A decisão de enviar tropas brasileiras para a missão de paz da ONU inseriu-se no esforço de política externa de Juscelino Kubitschek de divulgar a imagem do Brasil no exterior. O Batalhão Suez, como ficaria conhecido, atuaria em conjunto com forças militares de outros nove países.

Em 1962, integraria uma das tropas do Batalhão Suez  o então tenente Carlos Lamarca, que lá permaneceria 18 meses. O período no Egito marcaria profundamente sua trajetória política, pois voltaria indignado com a miséria e desigualdade na região.

Promovido a capitão em 1968, abandonaria o Exército no ano seguinte para engajar-se na resistência armada à ditadura.