13 de março

Contra brigadeiro, PSD lança general

Partido ainda nem foi registrado, mas já tem candidato: Eurico Gaspar Dutra

Poucos dias depois da oficialização da candidatura do brigadeiro Eduardo Gomes pela UDN, o interventor mineiro Benedito Valadares, cumprindo a incumbência dada pelo presidente Getúlio Vargas, lança em São Paulo o general Eurico Gaspar Dutra à Presidência.

No dia 17 de julho, uma convenção criaria o PSD e homologaria, ao mesmo tempo, a candidatura do general.

Dutra não era político, mas um militar com sólida carreira. Seu destacado  desempenho na repressão ao levante comunista de 1935 lhe valera o Ministério da Guerra, onde permaneceu até ser indicado candidato. No passado, contudo, fizera escolhas políticas incômodas. Aproximara-se dos integralistas nos anos 1930 e se declarara admirador da Alemanha nazista. Pesava sobre ele também a desconfiança de que, uma vez eleito, tornar-se-ia um fantoche nas mãos de Vargas — embora, nos bastidores, trabalhasse pela deposição do ex-chefe.

Informado da atuação de Dutra no movimento golpista, Getúlio ignoraria sua campanha até o último momento. A explosão do movimento queremista dificultaria ainda mais o acesso do candidato ao eleitor varguista. Semanas antes das eleições, Dutra era dado como derrotado. Dois fatos, porém, mudariam a situação: uma desastrada declaração de Eduardo Gomes dispensando os votos dos “marmiteiros”; e a carta de Getúlio anunciando apoio a Dutra, distribuída nacionalmente cinco dias antes do pleito.

Vargas preferiu apoiar Dutra, que considerava um traidor, a engolir a vitória da UDN. Nas vésperas da eleição, o país seria inundado com cartazes transmitindo o recado : “Ele disse: votai em Dutra”. Só então a campanha do general ganharia empolgação e as ruas.

O general seria eleito com 52,39% dos votos.