29 de outubro

Sob a mira de canhões, Getúlio renuncia

Golpe depõe o presidente, que fica sem água, luz e gás no palácio Guanabara

O general Cordeiro de Farias, chefe do Estado Maior das Forças Armadas insurgentes, entrega a Getúlio Vargas, no Palácio Guanabara, rascunho do documento de renúncia que o presidente deverá assinar.

Eram 21 horas. Naquele momento, a guarda pessoal do presidente já fora substituída por uma unidade motorizada, que ocupava os jardins da residência oficial. Tanques de guerra apontavam para o prédio. Com frieza, Getúlio pede ao seu secretário que datilografe a renúncia, depois de passar rapidamente os olhos pelo documento escrito à mão por seu ministro da Guerra, GóiPresids Monteiro.

“Preferia que vocês me atacassem, para que eu me defendesse, mas já que se trata de um golpe branco, não serei eu o elemento perturbador”, disse  Getúlio, que pediu 48 horas para deixar a residência oficial.

No dia seguinte, os chefes militares cortariam a luz, a água e o gás. “Isso está mais parecido com uma ação de despejo que um golpe de Estado”, ironizou o presidente deposto.

No dia 1º de novembro, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) levaria Getúlio para a sua fazenda em São Borja, onde cumpriria um período de autoexílio. Para o sobrinho Serafim Dorneles, que o acompanhou no voo, ele comparou a política a um jogo de xadrez:

“Eu sou uma pedra que foi movida da posição que ocupava. E eles pensam que eu vou permanecer onde eles me colocaram. É o grande erro deles. Não sabem que vamos começar um novo jogo — e com todas as pedras de volta ao tabuleiro.”