2 de dezembro

Juscelino sofre nova tentativa de golpe

Oficiais rebelados da FAB ocupam base de Aragarças e são derrotados

O tenente-coronel aviador João Paulo Moreira Burnier e dez homens entram armados no aeroporto do Galeão, roubam três aviões e voam para a Base Militar de Aragarças, em Goiás. Simultaneamente, cinco oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) apoderam-se de um avião Beechcraft particular, em Belo Horizonte. No dia seguinte, o major Teixeira Pinto, sequestra um avião da Panair com 38 passageiros civis e oito tripulantes, que também é desviado para Aragarças.

JK enfrenta, de novo, uma conspiração articulada pelos mesmos revoltosos de Jacareacanga, que ele anistiara em 1956. Os sedicioso consideravam o governo conivente com o comunismo, eram contra a permanência no Ministério da Guerra do general Henrique Teixeira Lott , a quem não perdoavam pelo “contragolpe preventivo” de 11 de novembro de 1956, que garantiu a  posse de JK, e consideravam a aliança PSD-PTB um indesejado legado getulista.

O gatilho da revolta foi a renúncia de Jânio Quadros (apoiado por uma coligação liderada pela UDN) à sua candidatura à Presidência. Era um blefe que só duraria uma semana. Para os militares, todavia, a renúncia poderia sinalizar ao resto da oficialidade  que não havia esperança de desalojar do poder a aliança PSD-PTB pelo voto.

Burnier, o líder da revolta, planejara a ocupação das bases militares de Santarém, Aragarças, Xingu, Cachimbo e Jacareacanga, e o bombardeio dos palácios do Catete e das Laranjeiras.  Com isso, pretendia forçar o estado de sítio e abrir um flanco para um golpe militar .

Não deu certo. Jânio voltou a ser candidato, e Juscelino não decretou estado de sítio. Nenhuma guarnição do país aderiu ao movimento. Dos 300 homens que Burnier esperava conquistar para o levante, somaram-se à sublevação apenas  34, reduzidos a 15 no final. Em 36 horas, a revolta estaria derrotada. Em abril de 1960, JK anistiaria todos os envolvidos.

Entre os papéis apreendidos após o fracasso da sublevação, o nome do marechal Castello Branco apareceu várias vezes como um de seus possíveis articuladores. O inquérito de investigação contra o militar foi rapidamente arquivado. Castello Branco acabaria sendo,  quatro anos mais tarde, o primeiro presidente militar de uma ditadura que durou 21 anos.