29 de maio

UNE renasce reivindicando democracia

Depois de voltar às ruas, estudantes reorganizam entidade proibida pela ditadura

Representantes de estudantes de todo o país elegem abertamente a primeira diretoria da União Nacional dos Estudantes (UNE) depois de a entidade ter sido tornada ilegal pela Lei Suplicy, em 1964. O acontecimento coroa o esforço de reconstrução da entidade, que vinha ocorrendo desde 1977. Nesse período, dois encontros nacionais haviam sido brutalmente reprimidos em Belo Horizonte e São Paulo.

O 31º Congresso da União Nacional dos Estudantes foi realizado no Centro de Convenções de Salvador, com a presença de líderes políticos e sindicais. A solenidade foi aberta pelo último presidente legal da UNE, o economista José Serra, que havia acabado de retornar do exílio. Uma cadeira vazia no palco da solenidade denunciava a morte do último presidente da entidade em sua fase clandestina, Honestino Guimarães, desaparecido desde 1973. O congresso elegeu Ruy César Costa da Silva para presidir a UNE.

O “Congresso da Reconstrução” marcou o auge da retomada do movimento estudantil, que havia retornado às ruas com grandes passeatas no começo de 1977. Nesse período foram organizadas entidades autônomas, como o Diretório Central dos Estudantes (DCE) Livre Alexandre Vannucchi Leme, na USP, e Uniões Estaduais de Estudantes. As principais palavras de ordem da UNE reconstruída defendiam o ensino público e gratuito e pediam a libertação de estudantes presos por atividades políticas e anistia ampla, geral e irrestrita para todos os presos, cassados, banidos e exilados.