1º de julho

Universitários param em todo o país

'Greve do um terço' mobiliza estudantes de 40 universidades pela reforma

A União Nacional dos Estudantes (UNE) decreta a "greve do um terço", a primeira grande mobilização estudantil de caráter nacional do Brasil.

A greve duraria três meses, atingiria as 40 universidades brasileiras e teria ampla repercussão. Os universitários, porém, não conseguiriam dobrar a intransigência da burocracia universitária e o conservadorismo do Congresso Nacional, não obtendo êxito em suas principais reivindicações: o direito a um terço da representação nos órgãos governativos das instituições universitárias e o assento nos conselhos estaduais e federal que as supervisionavam.

O movimento, contudo, marcaria o envolvimento generalizado dos estudantes no debate sobre a reforma universitária, que já mobilizava as entidades estudantis da América Latina. Seria também um ponto de inflexão do movimento estudantil, a partir do qual ele se radicalizaria e teria uma participação ativa na política nacional, junto com as forças de esquerda.

Em 1960, havia ocorrido na Bahia o 1º Seminário Latino-Americano de Reforma e Democratização do Ensino Superior, evento que marcou a entrada definitiva da reforma universitária na agenda política da UNE.

Reunindo entidades estudantis de diversos países do continente, foram estabelecidas as pautas das futuras mobilizações, com destaque para a proposta de democratização do ensino superior, ampliando o acesso das classes trabalhadoras à universidade, considerada elitista.

As propostas foram publicadas na Declaração da Bahia, documento que estabeleceu a necessidade de encarar a reforma universitária como parte elementar da necessária modernização da estrutura socioeconômica do país.

Desde então, intensificou-se a luta pela modernização e democratização das instituições, a partir da constatação de que as instituições de ensino superior eram anacrônicas, autoritárias e descomprometidas com os problemas do país.

A mobilização para a greve vinha sendo minuciosamente articulada pela UNE desde 1961, quando a esquerda católica se tornara majoritária no movimento estudantil e partilhara o poder com outros grupos de esquerda, em especial o PCB.

A partir de então, e sob a condução da Juventude Universitária Católica (depois aglutinada na Ação Popular), uma UNE-Volante percorreria o país e levaria o debate sobre a reforma universitária para todas as universidades, com o apoio dos Centros Populares de Cultura (CPC), que usariam o teatro e o cinema como instrumento de politização do meio estudantil.

Essa guinada da UNE sofreria represálias de grupos de direita. Um mês após a deflagração da greve, o Movimento Anticomunista (MAC) invadiria o Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ) e feriria a tiros duas pessoas que participavam do 25º Congresso Nacional dos Estudantes.