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A luta pelo voto direto

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Quando houve o golpe de 1964, as eleições presidenciais para a sucessão de João Goulart estavam marcadas para setembro de 1965 e tinham como candidatos naturais Juscelino Kubitschek (PSD) e Carlos Lacerda (UDN). Outros nomes, como os de Leonel Brizola (PTB) e Jânio Quadros (PTN), também estavam colocados. Onze dias depois da deposição de Jango, o Congresso elegeu indiretamente o general Castelo Branco como presidente para terminar o mandato de cinco anos iniciado por Jânio Quadros. Em julho, entretanto, a emenda constitucional número 9 prorrogou seu mandato até 15 de março de 1967. 

Logo as restrições à democracia se avolumaram. Em 1965, foi editado o AI-2 em represália contra a vitória de candidatos da oposição em Minas e na antiga Guanabara. O ato extinguiu os partidos, instituiu o bipartidarismo (Arena e MDB) e tornou indireta a eleição presidencial, afora outras disposições autoritárias. A Constituição imposta de 1967 tornaria indiretas também as eleições para governador.

Começou então uma longa luta pela reconquista do voto direto para presidente e governador. Na sucessão de Castelo Branco, em 1967, o MDB recusou-se a participar da eleição indireta do general Costa e Silva. Quando ele sofreu um derrame em agosto de 1969, a Junta Militar que assumiu o governo marcou para outubro a eleição indireta do general Emílio Garrastazu Médici. A maioria da oposição novamente se absteve. 

Já na sucessão de Médici, o MDB lança a “anticandidatura” de Ulysses Guimarães para concorrer com o general Ernesto Geisel no Colégio Eleitoral, composto pelos congressistas e por representantes das assembleias legislativas estaduais. O jogo era de cartas marcadas mas Ulysses e seu vice, Barbosa Lima Sobrinho, viajam pelo país em campanha, pregando a redemocratização e a devolução do voto direto. Esta campanha contribui para maior politização do eleitorado e para a grande vitória do MDB na eleição parlamentar de 1974. Na sucessão de Geisel, o MDB volta a participar do Colégio Eleitoral com a candidatura do general dissidente Euler Bentes Monteiro.  

Finalmente, no governo Figueiredo, o Brasil se levanta na memorável campanha das Diretas-Já. A emenda constitucional não é aprovada mas a grande mobilização do povo brasileiro abre caminho para a eleição indireta do primeiro presidente civil, Tancredo Neves, em janeiro de 1985. Em 1989, pela primeira vez depois da eleição de 1960, os brasileiros escolhem o presidente da República pelo voto direto.