24 de outubro

Cai Washington Luís: é o fim da República Velha

Alto comando envia ultimato e cerca o palácio Guanabara. Ex-presidente é preso

Enquanto os rebeldes da Aliança Liberal colecionam vitórias e seguem para a capital da República, Washington Luís se recusa a deixar o cargo. A situação se precipita no Rio de Janeiro. O Alto Comando das Forças Armadas subleva-se, assume o controle dos quartéis e manda um ultimato ao presidente.

Dom Sebastião Leme, cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, foi o encarregado de levar o documento, cujo texto não deixa dúvidas: “A salvação pública, a integridade da nação, o decoro do Brasil e até mesmo a glória de V. Exa. instam, urgem e imperiosamente comandam a V. Exa. que entregue os destinos do Brasil do atual momento aos seus generais de terra e mar. Tem V. Exa. o prazo de meia hora a contar do recebimento desta para comunicar ao portador a sua resolução, e, sendo favorável, como toda a Nação livre o deseja e espera, deixará o poder com todas as honras e garantias”.

Só que não foi tão fácil como o ultimato, entregue de manhã, fazia supor. O presidente disse não renunciaria e que só sairia dali morto. Apesar da bravata, os militares determinaram o cerco ao palácio Guanabara — onde o presidente morava e se enclausurara havia dias. Sem alternativa, Washington Luís deixou o palácio às 18 horas, na companhia do cardeal, e seguiu para o forte de Copacabana, onde ficou preso. Deixaria o país exilado, um mês depois.

A direção da República ficou sob a responsabilidade da Junta Governativa Provisória, composta pelo almirante Isaías de Noronha e pelos generais Tasso Fragoso e João de Deus Mena Barreto. Logo após assumir o poder, uma proclamação foi transmitida pelo rádio, informando que as Forças Armadas, “com a cooperação da massa popular” e “sem efusão de sangue”, tinha tomado o poder da República com o “patriótico intuito de pôr um paradeiro à chacina que ameaçava degradar a família brasileira”. 

Com a situação na capital sob controle, a Junta enviou um telegrama para as forças em disputa, conclamando-as a depor as armas, em nome da pacificação nacional.

Desconfiado, porém, de que a junta “provisória” queria se tornar permanente, Getúlio ordenou às forças revolucionárias que continuassem avançando em direção ao Rio de Janeiro.