19 a 23 de maio

Usina no Xingu gera protestos no Pará

Encontro reúne milhares de pessoas contra a construção de Belo Monte

Durante cinco dias de muita tensão, milhares de pessoas, representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e especialistas, reuniram-se em Altamira (PA) para debater os impactos socioambientais da usina de Belo Monte — que faz parte do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — e de outras pequenas centrais hidrelétricas no rio Xingu. 

O engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, que apresentava estudos favoráveis à construção de Belo Monte, foi ferido no braço por um golpe de facão desferido por um indígena. Ao final do encontro, os participantes divulgaram o documento “Carta Xingu Vivo para Sempre”, denunciando os impactos socioambientais da obra e apresentando um projeto de desenvolvimento sustentável para a região. 

O Encontro Xingu Vivo para Sempre realizou-se 21 anos depois do 1º Encontro de Povos Indígenas, realizado em Altamira, que havia reunido 3 mil pessoas, entre elas 650 índios, para já naquela época protestar contra a construção prevista de cinco hidrelétricas no rio Xingu.

Maior hidrelétrica 100% nacional e a terceira maior do mundo, Belo Monte seria inaugurada em 2016 pela presidenta Dilma Rousseff. Com capacidade instalada de 11.233,1 megawatts, ela deverá gerar energia suficiente para abastecer 60 milhões de pessoas em 17 estados, o que representa cerca de 40% do consumo residencial de todo o país.