19 a 23 de maio

Usina no Xingu gera protestos no Pará

Encontro reúne milhares de pessoas contra a construção de Belo Monte

Durante cinco dias de muita tensão, milhares de pessoas, representantes de populações indígenas e ribeirinhas, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, pesquisadores e especialistas promovem em Altamira (PA) o encontro Xingu Vivo para Sempre, a fim de debater os impactos socioambientais da usina de Belo Monte e de outras pequenas centrais hidrelétricas no rio Xingu.

O encontro ocorreu 19 anos depois do 1º Encontro de Povos Indígenas, realizado em Altamira, que reunira 3 mil pessoas, entre elas 650 índios, para, já em 1989, protestar contra o projeto de construir cinco hidrelétricas no rio Xingu.

Durante o evento, o engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende, que apresentava estudos favoráveis à construção de Belo Monte, chegou a ser ferido no braço por um golpe de facão desferido por um indígena. Ao final do encontro, os participantes divulgaram o documento “Carta Xingu Vivo para Sempre”, denunciando os impactos socioambientais da obra — prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) — e apresentando um projeto de desenvolvimento sustentável para a região.

Maior hidrelétrica 100% nacional e terceira do mundo, Belo Monte seria inaugurada em 2016 pela presidenta Dilma Rousseff, com capacidade instalada de 11.233,1 megawatts, suficiente para abastecer de energia 60 milhões de pessoas em 17 estados — cerca de 40% do consumo residencial do país.